A venda da SAF do Vasco: como está a situação em agosto de 2026

A venda da SAF do Vasco: como está a situação em agosto de 2026

Vasco 360 — bastidores do Gigante da Colina

Depois de mais de um ano e meio sem um investidor definitivo no comando do futebol, o Vasco da Gama finalmente parece caminhar para o desfecho do processo mais aguardado pela torcida cruzmaltina: a venda da SAF. Agosto de 2026 chegou marcado como o mês decisivo, e o clube deu um passo formal e concreto nessa direção. Neste post, reunimos tudo o que se sabe até agora sobre o andamento da negociação, os personagens envolvidos e os próximos passos até a conclusão do negócio.

Para entender o momento atual, vale relembrar o caminho percorrido. Entre agosto de 2022 e maio de 2024, a gestão da SAF esteve nas mãos da 777 Partners, fundo americano que controlava 70% das ações do futebol vascaíno. Esse período deixou marcas profundas nas finanças do clube: foram 35 contratações que geraram despesas futuras relevantes, e um relatório interno do Vasco apontou que apenas 18% dos valores devidos até maio de 2024 — referentes a transferências, luvas e comissões — haviam sido efetivamente pagos.

Com o rompimento da parceria em 2024, o clube associativo retomou o controle do futebol, mas herdou uma dívida bilionária e um imbróglio jurídico com o antigo sócio. Para se proteger de credores e reorganizar as contas, o Vasco optou por pedir recuperação judicial — tanto para o clube quanto para a SAF — em um movimento parecido com o que o Cruzeiro havia feito antes. A dívida total apontada à época girava em torno de R$ 1,4 bilhão.

Desde então, o clube vive uma fase de transição: sem investidor fixo, disputando judicialmente indenizações pelos danos causados pela antiga gestão, e ao mesmo tempo tentando atrair um novo aporte que devolva competitividade ao time dentro de campo.

O nome mais forte no radar da SAF vascaína atualmente é o do empresário Marcos Lamacchia, filho de José Roberto Lamacchia, fundador da Crefisa — financeira conhecida por patrocinar o Palmeiras e ser ligada a Leila Pereira. As primeiras conversas surgiram nos bastidores, com Pedrinho e José Roberto Lamacchia articulando havia meses um plano para que a família adquirisse o futebol do clube carioca, inclusive com negociações diretas com representantes da própria 777 Partners.

De lá para cá, a proposta amadureceu bastante. Marcos Lamacchia, através da empresa Almirante Participações e Empreendimentos S.A., também foi quem concedeu um empréstimo DIP (Debtor in Possession) de R$ 40 milhões para cobrir necessidades urgentes do clube durante o processo de recuperação judicial — um gesto que reforçou sua posição como o interessado mais avançado nas tratativas.

Um dos pontos mais importantes — e que gera confusão entre os torcedores — é entender que o Vasco não vai simplesmente vender a SAF que já existe. O plano estruturado dentro da recuperação judicial prevê a criação de uma nova SAF, batizada de UPI Equity (Unidade Produtiva Isolada), para a qual os ativos do futebol profissional serão transferidos. É essa nova estrutura que será, de fato, leiloada a um novo controlador — o que especialistas vêm descrevendo, de forma didática, como uma “SAF da SAF”.

  • A empresa Almirante, de Lamacchia, apresenta a primeira proposta vinculante, que serve como piso mínimo para o leilão.
  • A partir desse valor, outros investidores podem apresentar propostas concorrentes e superiores, num processo competitivo desenhado para maximizar o retorno ao Vasco.
  • Se ninguém superar a oferta da Almirante, Lamacchia é declarado vencedor automaticamente.
  • Caso surja uma proposta melhor e o clube opte por ela, a Almirante recebe uma compensação financeira de R$ 50 milhões pelo chamado break-up fee — valor que, segundo advogados ligados ao processo, já foi reduzido em relação à proposta original após negociações.

O edital publicado pelo Vasco na 4ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro formalizou a Almirante como investidora âncora, com uma proposta que pode ultrapassar R$ 2 bilhões — e que, somando dívidas assumidas, compra de atletas e melhorias estruturais, pode chegar à casa dos R$ 3 bilhões. Como garantia, está o patrimônio pessoal de José Roberto Lamacchia.

  • Aporte obrigatório e exclusivo de R$ 500 milhões para o futebol profissional, dividido em cinco parcelas anuais de R$ 100 milhões, corrigidas pelo INPC, entre 2026 e 2030.
  • R$ 120 milhões destinados ao desenvolvimento do centro de treinamento ao longo dos próximos dez anos.
  • R$ 30 milhões voltados à infraestrutura das categorias de base já no biênio inicial.
  1. Disputa jurídica sobre a governança da SAF — ainda precisa ser resolvida antes da conclusão da operação.
  2. Aprovações internas do clube — o negócio depende do aval do Conselho de Beneméritos, do Conselho Deliberativo e da Assembleia Geral dos Sócios.
  3. Homologação judicial — por fim, o juiz responsável pela recuperação judicial precisa aprovar cada etapa, já que todo o processo é acompanhado de perto por administradores judiciais e por um agente fiscalizador (watchdog). Segundo advogados envolvidos no caso, hoje até as contratações do elenco profissional são levadas ao conhecimento da magistrada responsável.
  4. O leilão da UPI Equity em si — etapa final que efetivamente definirá quem assume o controle do futebol vascaíno.

Especialistas que acompanham o caso — como o advogado José Humberto, que tem analisado o tema em detalhes — vêm reforçando que agosto de 2026 é um mês-chave porque o Vasco precisa de estabilidade financeira e jurídica o quanto antes, sobretudo para conseguir fazer contratações na janela de transferências em andamento e melhorar o desempenho dentro de campo. A demora na definição do investidor tem custado caro: sem recursos garantidos, o clube segue limitado no mercado, e isso se reflete diretamente na competitividade do time.

Como se as questões internas não bastassem, o Vasco também enfrenta um problema externo grave: a FIFA aplicou uma punição de registration ban, impedindo o clube de inscrever novos jogadores por três janelas de transferências, em razão de uma dívida de € 3,8 milhões com o clube francês Nantes — referente à contratação do atacante Adson, em janeiro de 2024. O Vasco já afirmou publicamente que está adotando todas as medidas jurídicas cabíveis para reverter a decisão, mas destacou que, pela legislação da recuperação judicial, está impossibilitado de efetuar o pagamento no momento. O caso reforça como as pendências financeiras do passado seguem pesando sobre o presente do clube, mesmo em plena negociação de venda da SAF.

  • Lamacchia segue como o nome mais forte e mais bem posicionado para assumir o controle da SAF, com a Almirante já atuando como investidora âncora.
  • O modelo de leilão competitivo (UPI Equity) foi formalizado, mas depende de uma sequência de aprovações internas e judiciais.
  • O prazo final para fechar o negócio é 30 de setembro de 2026.
  • Enquanto isso, o Vasco segue tentando equilibrar as contas dentro da recuperação judicial e lidando com entraves paralelos, como a punição da FIFA.

Se tudo correr dentro do cronograma anunciado, os próximos meses devem finalmente trazer uma resposta para uma pergunta que a torcida vascaína carrega há anos: quem vai injetar o dinheiro necessário para tirar o Gigante da Colina da crise e devolvê-lo à briga por títulos?

O Vasco 360 vai continuar acompanhando de perto cada capítulo dessa novela — assim que houver novidades sobre o leilão, as aprovações ou qualquer reviravolta, este espaço será atualizado.


Fontes consultadas: SuperVasco, NETVASCO, Sou SAF, Lance!, Papo na Colina e Soccerway