Bahia 0 x 0 Vasco: um empate que dói mais no Cruz-Maltino

Bahia 0x0 Vasco — Vasco 360
Vasco 360 Cobertura de campo, bastidores, história e torcida
Pós-jogo · 22ª rodada do Brasileirão

Bahia 0 x 0 Vasco: um empate que dói mais no Cruz-Maltino

Mesmo sendo o time melhor em campo, o Vasco esbarrou em três gols anulados pelo VAR e num apagão no departamento médico na Arena Fonte Nova.

BAHIA 0 × 0 VASCO
DataDomingo, 9 de agosto de 2026
LocalArena Fonte Nova, Salvador (BA)
CompetiçãoBrasileirão Série A — 22ª rodada
Bahia na tabela6º lugar, 33 pontos
Vasco na tabela18º lugar, 22 pontos
Brasileirão VAR Departamento médico Zona de rebaixamento

Um resultado que não serve a ninguém

Todo torcedor que ligou a TV — ou abriu o aplicativo, ou foi até a Fonte Nova de carro, ônibus, avião, sei lá — esperando ver um vencedor saiu frustrado neste domingo. Bahia e Vasco protagonizaram um 0 a 0 truncado, disputado, cheio de idas e vindas, mas que no fim das contas não teve gol nenhum que valesse.

E olha que não foi por falta de bola na rede. Foram três gols anulados ao todo — dois do Vasco, um do Bahia — todos por posições de impedimento marcadas pela tecnologia do impedimento semiautomático. Se você é vascaíno e ficou com aquela sensação de “a gente jogou bem, mas não saiu com nada”, saiba que não foi impressão sua. Os números do jogo confirmam.

O contexto antes da bola rolar

Chegando para este confronto, as duas equipes viviam momentos completamente diferentes na temporada.

O Bahia, comandado por Rogério Ceni, entrava na rodada no G5 do Campeonato Brasileiro, brigando por uma vaga na próxima Libertadores. Mas o time já estava eliminado tanto da Copa do Brasil quanto da própria Libertadores desta temporada — ou seja, o foco total do Esquadrão de Aço estava (e está) no Brasileirão. Apesar da boa colocação, a torcida tricolor vinha criticando a equipe, que não vencia — e também não perdia — havia quatro partidas antes deste duelo.

Já o Vasco vivia a angústia de estar dentro da zona de rebaixamento, na 18ª posição. Mas havia um contraponto animador: sob o comando do técnico português Pedro Emanuel, o Cruz-Maltino chegava embalado por uma sequência de seis jogos de invencibilidade. Um detalhe e tanto para um time que estava — e segue — brigando diretamente contra o descenso.

O Vasco não vence na Arena Fonte Nova desde 1987. Isso mesmo: 39 anos sem sair de Salvador com um triunfo diante do Bahia.

Spoiler: o tabu segue vivo.

Como foi o jogo

Do ponto de vista técnico, o relato geral das transmissões e da cobertura especializada é unânime em um ponto: o Vasco foi melhor do que o Bahia, mesmo jogando fora de casa. Coisa rara — e valiosa — para um time que ocupa a 18ª colocação do campeonato.

A partida teve características de jogo truncado, com boa intensidade defensiva dos dois lados, mas também momentos de abertura, principalmente quando o Bahia tentava construir jogadas mais longas pelo meio e o Vasco apostava em transições rápidas.

Um lance específico ilustra bem o padrão do jogo carioca: em determinado momento, o Vasco aproveitou uma falha na recomposição defensiva do Bahia e conseguiu chegar com perigo à área baiana, mas o último passe não encontrou o atacante em boa posição — e a chance se perdeu. Foi basicamente a síntese da tarde vascaína: criar, criar, criar, e não conseguir concluir.

Do outro lado, o Bahia tentou impor seu jogo de posse, principalmente diante da sua torcida na Fonte Nova, buscando construir com mais presença ofensiva — mas sem o rendimento técnico que se esperava de um time que está no G6 do Brasileirão. A própria cobertura da rodada descreveu a atuação baiana como “tecnicamente ruim”.

No fim, nem craque conseguiu decidir: 0 a 0 no placar final, depois de 90 minutos (e alguns acréscimos) de muita luta e pouca eficiência ofensiva.

Os três gols anulados

Se teve um protagonista silencioso nesta partida, foi a tecnologia. O sistema de impedimento semiautomático anulou três gols ao longo dos 90 minutos.

1º gol anulado — Adson, ainda no primeiro tempo

Na etapa inicial, o Vasco balançou as redes em um chute de fora da área de Adson. A comemoração durou pouco: o VAR apontou posição irregular de David na origem do lance, momentos antes da finalização. Gol anulado.

2º gol anulado — David marca, mas está impedido de novo

Já na etapa complementar, o próprio David — que havia sido o “vilão” indireto do primeiro lance anulado — balançou as redes com gol próprio. De novo, o impedimento apitou: David estava em posição irregular no momento decisivo do lance.

Dois gols do Vasco anulados em uma única partida, ambos envolvendo o mesmo jogador na origem da irregularidade.

3º gol anulado — a resposta do Bahia, aos 44 do segundo tempo

Quando tudo parecia caminhar para o 0 a 0 sem mais sustos, o Bahia também teve sua vez de comemorar e ver a bola voltar ao centro do campo. Aos 44 minutos da etapa final, Sanabria foi lançado em profundidade e encobriu o goleiro vascaíno Léo Jardim — só que também estava em posição de impedimento no momento do lançamento. Gol anulado, novamente pela tecnologia.

Três chances de um dos dois times sair na frente, três vezes a tecnologia dizendo “não”. Um jogo movimentado disfarçado por um placar de 0 a 0 friíssimo.

O apagão no departamento médico

Se o VAR já não bastasse para deixar a tarde de domingo dramática, o departamento médico dos dois clubes também teve trabalho de sobra.

Vasco: drama desde o aquecimento

Andrés Gómez, um dos destaques ofensivos do time, seria titular na Fonte Nova. Mas, durante o aquecimento, sentiu dores no pé esquerdo e precisou ser cortado da escalação em cima da hora, sendo substituído por David na equipe inicial — justamente o jogador que protagonizaria os dois lances de impedimento na origem dos gols anulados.

Durante a partida, mais três jogadores vascaínos sentiram problemas físicos e precisaram deixar o campo:

  • Brenner, autor de dois gols na partida anterior, precisou ser substituído.
  • Cuesta, zagueiro, também sentiu e saiu.
  • Adson, o ponta que teve o gol anulado no primeiro tempo, encerrou sua participação mais cedo do que o esperado.

No lugar deles, entraram peças com menos ritmo de jogo — casos de Marino Hinestroza, Saldivia e Spinelli.

Bahia também sofreu

Do lado baiano, dois titulares sentiram problemas musculares ainda no primeiro tempo e precisaram sair: Ademir e Luciano Juba. Para o técnico Rogério Ceni, é um motivo real de preocupação daqui para frente na temporada.

Números da partida

EstatísticaBahiaVasco
Posse de bola45%55%
Chutes a gol11
Grandes chances criadas00
Escanteios12
Passes certos152 (83%)188 (85%)
Total de passes184221
Duelos vencidos1726
Defesas do goleiro01
Faltas cometidas96

O que salta aos olhos aqui é a superioridade vascaína em praticamente todos os fundamentos ofensivos e de controle de jogo: mais posse, mais passes, mais passes certos, mais escanteios, mais duelos vencidos. Só faltou o principal: a bola na rede que valesse.

O que isso significa na tabela

Para o Bahia

O time de Rogério Ceni perdeu a posição no G5 do Campeonato Brasileiro justamente para o Cruzeiro, que venceu o Mirassol na mesma rodada. Com o tropeço em casa, o Bahia caiu para a 6ª colocação, agora com os mesmos 33 pontos da Raposa, mas atrás no critério de desempate.

Para o Vasco

Já o Cruz-Maltino segue no fundo do poço da tabela: 18ª posição, com 22 pontos, dentro da zona de rebaixamento. O empate fora de casa mantém a sequência de invencibilidade sob Pedro Emanuel em seis jogos, mas na prática não tira o time da degola.

Quem sai mais incomodado?

Para o Bahia, o incômodo é de expectativa: entrou em campo como mandante, brigando pelo G5, e não conseguiu sustentar essa posição — atuação “tecnicamente ruim” acende alerta para Rogério Ceni.

Para o Vasco, o incômodo é de oportunidade perdida: fora de casa, diante de um tabu de quase 40 anos, o time chegou muito perto de escrever uma página diferente. Os números comprovam superioridade. Só faltou o gol — ou melhor, sobraram gols anulados.

Próximos compromissos

Vasco: quinta-feira, dia 13, às 19h, em São Januário, pelo jogo de ida das oitavas de final da Copa Sul-Americana, diante do Olimpia (PAR).

Bahia: domingo, dia 16, às 11h, fora de casa, contra a Chapecoense, pelo Brasileirão.


Análise: o que fica deste jogo para o torcedor vascaíno

Se você é da Colina, sabe bem o gosto agridoce desse tipo de resultado. Por um lado, dá orgulho ver o time impor um futebol superior fora de casa, contra um adversário que brigava pelo G5, numa arena onde o Vasco não vence há praticamente quatro décadas. Por outro, times que estão na zona de rebaixamento não podem se dar ao luxo de “jogar bem e não pontuar o suficiente”.

A boa notícia é que, se o time seguir criando neste ritmo, a bola vai começar a entrar — e o próprio David, que hoje tem dois “impedimentos” no currículo desta rodada, pode muito bem ser o nome que resolve um jogo decisivo nas próximas semanas.

Resumo rápido

  • Placar: Bahia 0 x 0 Vasco, pela 22ª rodada do Brasileirão
  • Local: Arena Fonte Nova, Salvador
  • Destaque estatístico: Vasco teve mais posse (55% a 45%), mais passes certos e mais duelos vencidos
  • Três gols anulados: dois do Vasco (Adson e David) e um do Bahia (Sanabria)
  • Departamento médico cheio: Vasco perdeu Andrés Gómez, Brenner, Cuesta e Adson; Bahia perdeu Ademir e Luciano Juba
  • Tabela: Bahia caiu para 6º (33 pts); Vasco segue em 18º, na zona de rebaixamento (22 pts)
  • Tabu mantido: Vasco não vence na Fonte Nova desde 1987 — 39 anos
  • Sequência positiva: 6 jogos de invencibilidade sob Pedro Emanuel
  • Próximo do Vasco: 13/08, contra o Olimpia-PAR, pela Sul-Americana
  • Próximo do Bahia: 16/08, contra a Chapecoense, pelo Brasileirão
Vasco 360 — cobertura de campo, bastidores, história e torcida do Gigante da Colina.

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