Cruz-Maltino freia embalo da Raposa e respira na luta contra o Z4
Depois de oito rodadas sem sentir o gostinho da vitória, o Vasco escolheu o adversário certo para voltar a vencer. Neste sábado (29), em São Januário, o Cruz-Maltino atropelou o Cruzeiro — vice-líder e um dos favoritos ao título — por 3 a 1, em uma exibição de personalidade que devolve o fôlego da torcida vascaína na briga contra o rebaixamento.
Gols de Tchê Tchê, Lucas Freitas e David construíram o placarão; o Cruzeiro só descontou no apagar das luzes, com Felipe Morais. Foi um baile na Colina.
O contexto: favoritismo mineiro, desespero carioca
O confronto começou com os holofotes praticamente todos voltados para o lado azul.
O Cruzeiro chegava embalado pelo melhor momento da temporada, com quatro vitórias seguidas no Brasileirão — sequência que incluía triunfos sobre Coritiba, Mirassol e Corinthians, além de uma virada dramática sobre o Flamengo nos acréscimos da rodada anterior. Sob o comando de Artur Jorge, a Raposa havia saído da parte de baixo da tabela para a 5ª colocação, com um aproveitamento de 69% em 16 partidas, mirando o G4 e, quem sabe, a liderança da Série A.
Do outro lado, o cenário era de urgência.
O Vasco amargava oito jogos sem vencer no Brasileirão, sequência de tropeços que incluía derrotas duras para Santos (0 a 3) e Palmeiras (1 a 4). O time estava estacionado na 19ª posição, dentro da zona de rebaixamento, e a pressão para reagir era grande — mesmo com o consolo de uma boa campanha na Copa do Brasil, onde o Cruz-Maltino havia eliminado o Fluminense e vencido o Vitória na ida das quartas de final.
Na teoria, favoritismo total do Cruzeiro. Na prática, o Vasco decidiu escrever outra história.
Primeiro tempo: Tchê Tchê abre o caminho
O jogo começou equilibrado, com o Cruzeiro usando bem os corredores para tentar impor o ritmo.Mas o Vasco foi crescendo aos poucos, criou boas chances e, aos 32 minutos, fez valer a insistência: Tchê Tchê disputou uma bola lançada por Colidio, levou a melhor no corpo contra Matheus Henrique, entrou completamente sozinho na área e bateu com categoria no canto baixo de Otávio para abrir o placar.
O gol deu confiança total ao Vasco, que terminou a primeira etapa em vantagem por 1 a 0, mesmo com o Cruzeiro tentando reagir nos minutos finais.
Segundo tempo: goleada em construção
A etapa complementar começou com o Vasco em cima. Aos 9 minutos, veio o segundo gol, num lance de bola parada bem trabalhado: Lucas Piton cobrou escanteio, Colidio tocou para trás em Adson, que devolveu para Piton cruzar na área. A bola passou direto por Cuesta e sobrou limpa para Lucas Freitas, que só teve o trabalho de empurrar para o gol na segunda trave. 2 a 0 para o Cruz-Maltino, e São Januário em festa.
O terceiro saiu pouco depois, com Ramon Rique escapando pela ponta e servindo David na cara do gol — dessa vez sem perdão. 3 a 0, e o jogo praticamente resolvido.
O Cruzeiro ainda tentou reagir, mas só conseguiu diminuir já nos minutos finais: em cobrança de escanteio curto, Wanderson cruzou para Matheus Pereira, que serviu Felipe Morais de cabeça para marcar o gol de honra da Raposa e fechar o placar em 3 a 1.
Números que resumem a noite
- Placar final: Vasco 3 x 1 Cruzeiro, em São Januário, pela 25ª rodada do Brasileirão.
- Gols do Vasco: Tchê Tchê (32′), Lucas Freitas (54′), David.
- Gol do Cruzeiro: Felipe Morais, nos minutos finais.
- Vasco encerra um jejum de oito jogos sem vitória no Brasileirão.
- O Cruzeiro via sua sequência de quatro triunfos consecutivos interrompida.
- Mesmo com a vitória, o Vasco segue no 19º lugar, com 22 pontos — apenas três atrás do Internacional (16º), primeira equipe fora do Z4. A campanha no campeonato é de 5 vitórias, 7 empates e 11 derrotas, com 24 gols marcados e 38 sofridos.
Um resultado que pesa duas vezes

Essa vitória tem um valor especial por dois motivos. Primeiro, o técnico Pedro Emanuel precisava urgentemente de um resultado positivo para tirar o time do fundo do poço na tabela e devolver confiança ao grupo, que vinha de goleadas sofridas. Segundo — e talvez mais importante para o torcedor —, o Vasco derrubou justamente o time que vivia a melhor fase do Brasileirão, provando que, mesmo brigando contra o descenso, o Cruz-Maltino ainda é capaz de parar qualquer adversário quando junta atuação coletiva com efetividade nas finalizações.
Vale lembrar que o próprio Vasco já havia mostrado ser incômodo para os líderes: na rodada anterior, o time havia arrancado um empate em 1 a 1 com o Flamengo, então na ponta da tabela. Contra o Cruzeiro, dessa vez, não teve nem empate — foi vitória com D maiúsculo.
O que vem por aí
O calendário não dá trégua. Vasco e Cruzeiro voltam as atenções para a Copa do Brasil, onde já garantiram presença nas quartas de final: o duelo de volta acontece na semana seguinte, com o Cruzeiro recebendo o Atlético-MG na terça-feira (1º/9), na Arena MRV, e o Vasco visitando o Vitória na quarta (2/9), no Barradão, em Salvador.
Na Série A, o Vasco precisa manter o embalo para se afastar de vez do Z4, enquanto o Cruzeiro tenta lamber as feridas rapidamente para não perder terreno na briga pelo G4.
Hora de comemorar vestindo o manto
Depois de uma virada de página dessas — parar o vice-líder do campeonato justamente quando o time mais precisava — só tem um jeito de comemorar como se deve: com a camisa do Vasco no corpo. Aproveite o embalo da torcida e confira nossa seleção de produtos vascaínos — camisas, canecas, bonés e itens para o dia de jogo — para curtir a reação do Cruz-Maltino com ainda mais orgulho.
O Vasco deu um passo importante contra o rebaixamento. Bora junto até o fim!
Vasco 360 — tudo sobre o Cruz-Maltino: campo, bastidores, história e torcida.

